QUANTA DIFERENÇA!

09/05- ainda hoje: VOCABULÁRIO DE IDEIAS PASSADAS!

……………………………………………………………………..QUANTA DIFERENÇA!

ei, ei, você se lembra da minha voz? Continua a mesma, mas os meus cabelos… Quanta diferença!

Esta propaganda de shampoo (http://www.youtube.com/watch?v=A2ALKyLK82A) é de uma época em que o que se tinha dentro da cabeça (ou, pelo menos, o que se dizia ter) era tão importante quanto o que se tinha fora. Ou mais! Claro que sempre houve o discurso pouco relacionado com as mãos (veja SÓ O ATO SALVA e só o ético pode orar e PT GO HOME ), como viriam a comprovar, convictos,  PT & Cia  (Delúbio foi perdoado, não foi? Finalmente, fez-se justiça. Lembra de PARTIDO DA CLEPTOMANIA DO BRASIL?). Mas, comparadas as distâncias e convicções entre as falas e as mãos de cada época… Quanta diferença?  Lembra do “nosso” jornalista, dos 600 mil, do dim-dim  do TRE, etc? Por falar nisso, se finalmente o Sindjufe reconheceu que há provas robustas contra aquela galera (veja FLUXO E REFLUXO (pega na mentira?)), o que foi feito delas? Tomou novo rumo o inquérito? E o sumiço da grana (quantos milhões? dois, três, quatro…?)  do TRE, por que não entrou na investigação (veja LÁ e CÁ. MAS FALTA UM LÁ, NADA MAIS DO QUE A VERDADE?, ELE ESTÁ SÓ. E SEM O QUE FALAR!)?

ENQUETE4 

A revista Carta Capital da semana passada (ano XVI, nº643, 27/04/11) trouxe duas matérias que me impulsionaram a compra. Uma, ACORDA SALVADOR (http://www.cartacapital.com.br/politica/acorda-salvador), tratou da velha e já não mais tão decantada capital baiana, que, como destacou, acabou de ser ultrapassada por Fortaleza/CE em visitação turística. As razões são as de sobra: sujeira, desorganização, desleixo,  trânsito, insegurança… a velha e boa questão brasileira: administração. A segunda (capa), confesso que não entendi: O DIÁRIO DO ARAGUAIA (http://www.cartacapital.com.br/politica/exclusivo-o-diario-do-araguaia).

Tudo bem que o próprio título interno deu bem a noção da desventura: DEVANEIO NA SELVA. Tema: o dia a dia na guerrilha do Araguaia, viagem alucinógena que o PCdoB – sem noção – importou da China  de Mao e aplicou a cerca de 70 dos seus seguidores e alguns nativos. A narração do drama – ou melhor, da tragédia – é de Maurício Grabois, um dos líderes históricos do partido e comandante máximo da operação em que enterrou um filho e um genro, além de si próprio. O auge dessa macabra festa reavy foi o início dos 70, e dela não participou só jovem. O próprio Grabois, que dançou aos sessenta, já não era menino; Elza Moneratt, que conheci velhinha em palestra do partido na Ufba pós-anistia, já tinha 49 anos em 1962, quando, com João Amazonas, Pedro Pomar e Grabois, entrou para o  Comitê Central do então criado PCdoB; e João Amazonas, secretário geral deste partido desde que o cisma de 1962 o tirou de dentro do antigo PCB, já era da organização original desde 1935.

E vem a pergunta: por que matéria de capa? O que há de tão importante nela que já não estivesse no ótimo OPERAÇÃO ARAGUAIAos arquivos secretos da guerrilha (S. Paulo: Geração Editora, 2005, 1a edição), dos jornalistas Taís Morais e Eumano Silva?  Primeira suspeita: a revista teria querido mostrar o quanto o país definhou moralmente, inclusive (ou sobretudo) no campo da esquerda. Lembra da ex-virgem dos lábios de mel chamada PT? Ela não teria vindo à luz com os seus seios lindos justamente em contraposição ao corpo degradado dos velhos PCs (veja ÉTICA NÃO É IDEOLOGIA, VOCÊ É SOCIALISTA? TEM CERTEZA? Quer ajuda dos universitários?,VIDEOGRAMAS DE UMA REVOLUÇÃO)?

E a certeza: o chamado “socialismo científico” (não “utópico”, não “idealista) pregado pela bandaconcretado obscurantismo de esquerda, na verdade, jamais existiu. Como sempre notou a sempre atenta História, a chamada esquerda  clássica sempre se baseou mesmo foi na pura necessidade vital (e mortal) de tomar e monopolizar o poder (veja A PULGA, O BURRO e AS NORMAS (edição especial)). E, movida por esta necessidade básica, ela cometeu – como é comum entre os mortais – os seus terríveis enganos. E autoenganos. Autoengano é aquela irresistível mentirinha que os nossos anseios (projetos, interesses, impulsos…)  contam, pensando em sua própria concretização. Nasce daquela poderosa energia mobilizadora sem cuja realização (pessoal) não seríamos felizes, o que nos leva a, se ncesessário, crer mais no desejo ou crença do que nos olhos. Explica o sempre claro Eduardo Giannetti (AUTOENGANO. CIA DAS LETRAS, SP, 1997):

… é o acreditar convicto que seduz e ofusca, a fé febril que arrebata… (fl.113) … Nele, não há lugar para a deliberação, a má-fé e o cálculo frio característicos dos casos mais claros do logro e tapeação interpessoal (…) as mentiras que contamos para os outros podem ser – e com frequência são – escolhidas e premeditadas. As que contamos para nós mesmos jamais o são. Ninguém escolhe o disfarce íntimo ou a mentira secreta com que se ilude, se ludibria e embala a si mesmo. O autoengano viceja em câmara escura…” (fl.121).

Ficou claro? Não? É simples: sonhar é tão bom que se sonha até dormindo. Foi o que aquela meninada levada para a selva pelo “partido do socialismo” fez, a maioria pagando com o corpo e/ou a vida. Quer uma ideia de como se automobilizava?  Taís Morais e Eumano Silva contam em seu ritmado e documentado  OPERAÇÃO ARAGUAIA que, quando souberam da presença dos militares na selva (repressão), os jovens de um dos destacamentos da guerrilha (alguns ainda mal chegados) pularam e se abraçaram, dizendo a si mesmos que, afinal, a hora de libertar o sofrido povo brasileiro havia chegado (tentei localizar a página, mas não consegui)… Coitados. Um deles, por exemplo, viria a ter a cabeça usada como cepo para desatolar um jeepe na lama (idem).  Mas a cabeça ainda vive, em Goiás, segundo a mesma fonte. Na verdade, nem todos sabiam para onde tinham ido nem o que fazer:

“… no primeiro dia, adotou o nome de Regina, recebeu um revolver 32 e um facão. Levou um susto, mas ficou calada (…) Regina pouco sabe do partido e mudou para o Araguaia com a intenção de realizar trabalho social ao lado do companheiro (…) Logo ao chegar, ao invés de entregar todo o dinheiro ao partido, esconde parte no oco de uma árvore. Dá para pagar uma passagem de avião de alguma cidade da região para São Paulo…” (fl.45)

Outros sabiam e eram pura paixão. Autoengano:

…minha querida mamãe, nós, apesar de algum tombo passageiro, seremos vitoriosos inevitavelmente, inapelavelmente… (fl.94)

Sentium leitor? “ inapelavelmente…”! Será que ainda se fazem comunistas como antigamente? O velho Cid (João Amazonas) também deu seus pulos:

“…Glênio ofereceu-se para participar do trabalho no campo depois de ler o documento GUERRA POPULAR – CAMINHO DA LUTA ARMADA NO BRASIL. Teve grande participação no movimento estudantil secundarista antes de mudar para o Araguaia (…) logo de início teve de aprender a cortar mato com facão. Usou meias como luvas, mas as mãos inexperientes fiaram cheias de calo (…) o momento mais feliz aconteceu em 1971. Satisfeitos como o resultado do trabalho na mata, os aprendizes de guerrilheiros resolveram comemorar o ano novo. Em volta das casas havia quatro roças de milho, uma de arroz e um castanhal. Osvaldão matou um veado mateiro e protagonizou uma cena inesquecível. Em fila indiana, guerrilheiros chegam (…) cantando a Internacional, hino da internacional Socialista. Osvaldão lidera o grupo com o veado nas costas. O velho Cid se emociona ao ouvir o hino entoado na mata pelos camaradas armados e pula pelo terreiro da casa feito criança…” (fl.100)

É isso mesmo. Autoengano é o erro do eu profundo, pregando para si mesmo sobre a validade do seu projeto. É o devaneio sem o qual a terra não se move a que se referiu Fernando Pessoa  em D. SEBSASTIÃO, REI DE PORTUGAL:

…Sem a loucura, que é o homem,
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?…

Não por outra razão, a Carta Capital  diz:

“…tudo conspirava contra os guerrilheiros. Mas, para Grabois, não. O velho Mário julgava que a situação era ‘favorável’…” (fl;20).

Você deve ter notado que, no trecho de AUTOENGANO acima, o autor também usou o termo mentiras, referindo-se ao dom de iludir agarrado ao verbete ideologia, quando honesto (atenção: não confundir com o discurso choroso e programado que um certo líder faz toda vez que se vê em apuros, frente à categoria. Em algumas assembleias, tive de me segurar para não chorar, embora tivesse certeza dos risos que a peça deve provocar no ator, fora do palco. Mas faz parte). Note como, segundo a publicação, o velho militante Grabois agarra-se à sua fé ideológica (interesse, visão de mundo e, mais contemporaneamente, muito oportunismo), deixando, perigosamente, que a mesma se sobreponha à realidade:

“… enquanto o mundo cai ao seu redor, o velho Mário (nome de guerra) passa horas do seu dia a ouvir as transmissões da Rádio Tirana e acredita nas notícias que vêm da distante e fechada Albânia comunista, que dão conta de um grande e forte movimento insurrecional na Floresta Amazônica brasileira...

É fé ou não, leitor? Ele não via o que os seus próprios olhos viam. Ele via o que os olhos do partido “viam”, de uma terra distante… Não dá vontade de acreditar que, realmente, o crente sabe que crê, e o ideólogo crê que sabe? Assim falou Roque Spencer Maciel de Barros em  O FENÔMENO TOTALITÁRIO (Belo Horizonte: Itatiaia; S. Paulo: editora Univrsidade de São Paulo, 1990. Tentei localizar a folha, mas não deu tempo). Era contra esses idiotas que os militares estavam lutando? Só rindo!

Aí, já não sei se se aplica o termo autoengano, como fez a revsita, na fl.21.  Mas, boa mesmo, inclusive pela literatura, foi a viagem que o ex-socialista de ferro e ex-colega de Jorge Amado na câmara dos deputados fez, tocado pela realidade. Diz a revista: “a mata é solução (porque mantém os guerrilheiros escondidos) e problema (porque os vai consumindo). Grabois se encanta ainda por ela. Numa das passagens mais líricas do diário, o comunista deixa a sua cabeça viajar com as borboletas, misturando beleza, ideologia e testosterona:

“…Estas nos dão um maravilhoso espetáculo (…) de todas as cores e tamanhos, fazem evolução de verdadeiro balé. São numerosas, pequenas, brancas, diáfanas, que, como se fossem um bando de moçoilas, voam em todas as direções, movimentando-se garridamente. Recordam-nos a leveza das bailarinas do Bolshoi (…) Outra, surge solitária, grande e vistosa, exibindo um azulado fulgurante, num esvoaçar elegante e tranquilo. Também é frequente encontrar borboletas mutlicoloridas e dos mais diferentes recortes de assas, que se assemelham a balzaquianas de esplêndidos vestidos a despertar sentimentos reprimidos em guerrilheiros jejunos… (fls.22/23)

Ô, coitado! Devia estar na mão… Não se faz mais comunista como antigamente, né, leitor? Sabe quem estava por lá, sem, talvez, ver tanta beleza? Geraldo. Ou melhor: José Genuino. Dá para crer que esse Mensaleiro mais conhecido tivesse jurado obediência ao “REGULAMENTO DA JUSTIÇA MILITAR REVOLUCIONÁRIA” que expulsaria da área quem pensasse em algum recurso não contabilizado ou caixa2? Quanta diferença!

Só um lembrete: no Leste europeu de então, o exército contra o qual se lutava (porque prendia, ocupava, assaltava, torturava e matava) era o  “socialista” soviético. Isto para não se falar na China de Mao, nem em casos ainda mais psiquiátricos como o Cambodja de Pol Pot (veja  1968: AO VIVO E A CORES, em MULTIUSO7, e  OS BANDIDOS DE CUBA). Por isso, vale a pena dar mais uma olhada no AUTOENGANO de  Giannetti:

“… o equipamento moral do animal humano é o que é. Imaginar que ele possa vir a ser radicalmente aprimorado ou regenerado (…) é abraçar fantasias de precário consolo e nenhuma validade () os séculos transcorrem, as miragens revolucionárias se desenrolam ruidosas e logo se recolhem ao esquecimento no leito insondável da história, e a velha natureza humana, com todo o seu inegável potencial e defeitos, não dá mostras de se deixar impressionar pelo espetáculo…(fl.211)

Entendeu, né? Veja também:

DESVIO NO SINDJUFE É DE MAIS DE MEIO MILHÃO! 

FIDEL, O FILME

NADA É TUDO

DOGVILLE

DICIONÁRIO AMOROSO DA AMÉRICA LATINA

A ERA LULA-parte II

STALIN, MAO, FIDEL (e ERENICE)

ILUSÕES PERDIDAS

FASCISMO DE ESQUERDA (o livro)

O ZIGUE-ZAGUE DAS PALAVRAS

FERVIDOS E MAL PAGOS?

A GUERRA QUE ELES NÃO PODEM PERDER

EM 2011, TODOS OS SONHOS SERÃO VERDADE?

O PLIN-PLIN E A VERDADE!

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