O FESTIVAL DA CARNE: CARNAVAL

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postado por Grace Bulcão no Facebook

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A música é de doer? E o preço? Números no MULTIUSO7: só o Camarote Salvador fatura R$ 14,4 milhões. E só bloco Camaleão, R$ 6,65. Agora, espia taxa que a prefeitura cobra: R$ 10,58 e mais 42,34 por metro quadrado. Melhor do que isso só igreja ou sindicato, né, não? Sobram para Governo do Estado e  prefeitura  (todo mundo) R$ 30 milhões de “investimento”.

…………………………………………………………..O FESTIVAL DA CARNE: CARNAVAL

As condições atuais de temperatura e pressão pedem a resenha de um livro, cujo nome não me lembro. Trata de como a religião criou o carnaval. Incrível, né? Era tão proibitiva a semana santa medieval que, num período imediatamente anterior, a própria Igreja liberava as almas para saciar as suas fomes, preparando-as para o que viria durante a paixão. E a carne aproveitava. Daí carnaval… Não é interessante? Parêntese: sendo o mundo tão demasiadamente humano – como dizia o alemão Nietzsche – é preciso ressaltar que, dos menos de cinquenta mil habitantes da Roma do século XVI, 7mil (sete) eram mulheres que suavam na mais antiga das profissões… (Cawthorne, Nigel. A VIDA SEXUAL DOS PAPAS, São Paulo, Ediouro, 2002 – trad. Thaís Manzzano – fl.295)! Não era um número baixo para um mundo ainda abafado nas batinas, né, leitor? Fechem-se os parênteses.

Agora, pergunte: que livro era aquele? Não sei. Sei que o li lá por 2010 e, assim como o ótimo A VIDA DE RUY BARBOSA (do escritor de mão cheia Luiz Viana Filho), já deveria ter sido resenhado. Mas, quem tem blog (e escreve sozinho) nem sempre faz o que quer, né? E sim o que a semana manda. Já disse isso, antes? Acho que em ACM, MEU AMOR. E por que essa resenha não sai, agora? Você não sabe o esforço que fiz, leitor (até mesmo para não ter de bloguear sobre a declarada queima geral anunciada, já tão queimada). Só que não tenho ideia de por onde aquele livro anda, certamente absorto numa das caixas fechadas. E por que “ainda fechadas”? Porque já, já virá outra mudança (estou em aluguel, que a construtora, atrasada, banca. A venda antecipada do AP onde morava deveu-se a uma proposta não recusável. Sabe quem a fez? Veja O DILEMA DA REALIDADE).

Bem, falemos da queima, mas apenas para relembrar que SÓ O ATO SALVA e só o ético pode orar:

“…nenhum de nós é o que prega. Cada um de nós é o que faz! Só o ato é verdade, sobretudo o que praticamos sem a intenção de torná-lo público. Tudo o mais (palavra, ideologia…) é moldura para o eterno conflito entre a fala e a mão…”

Vamos admitir que o PM (e advogado!) que teve a sua fala gravada (e editada, como alegou) não a praticou. Teria ficado só no incitamento. Será? E por quê? Por freios morais? Princípios? Valores? Senso de dever? Poderia ser porque não pôde? Caso não disponha de algo melhor, leitor, sugiro uma olhadela em DOGVILLE e ÁGUIA OU GALINHA?. Caso a olhadela queira se espichar … É MUITA ONDA, AH, SE EU SOUBESSE e DEUS É FIEL? (todos textos de apenas uma página).

Poderia, ainda, perguntar se o militar teria deixado de incendiar, por hierarquia ou respeito à lei, já que a greve já havia sido declarada ilegal.  Mas, será mesmo que aqueles ônibus atravessados na pista, aqueles veículos carbonados, arrombamentos, mortes e canos de pistola ousadamente clandestinos em via pública não dispensam comentários? O PCC pode? Não? E a polícia? Alguma dúvida leitor? Eu tenho: quando profissionais do poder põem fogo pelos microfones, eles estão pensando mais nas suas categorias ou nas suas projeções pessoais? Diz o Bahia News:

“…Depois da sua expulsão da PM [não por greve, segundo o mesmo site], passou a se articular com entidades representativas de policiais e com a política. Disputou e foi derrotado em duas eleições: tentou ser vereador soteropolitano pelo PSOL, em 2008, e deputado estadual pelo PTC, em 2010. O partido, em Rondônia, inclusive, o acusa de falsidade ideológica e chegou a pedir a sua prisão por ele ter se passado por parlamentar da sigla. Após fundar a Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares da Bahia (Aspra), braço local da Associação Nacional de Entidades de Praças Militares (Anaspra), passou a integrar mobilizações de paralisação da atividade policial em diversos estados do país. Sem deixar a intenção de obter um mandato de lado, filiou-se ao PSDB e é pré-candidato a uma das cadeiras na Câmara Municipal de Salvador este ano…

http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/110847-pm-relata-invasao-de-prisco-a-batalhao-e-o-classifica-de-‘delinquente’-lider-grevista-tentou-matar-c.html

VOCÊ JÁ VIU ESSE FILME, leitor?  Do PSOL ao PSDB vai uma diferença, né?

Só para lembrar:

      • “… A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve…”

Lula, 2001, em http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

      • Sindlegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e Tribunal de Contas da União) vai recorrer da decisão, pela qual

 “… Juíza gaúcha determina que funcionários retornem aos cofres públicos o que receberam indevidamente de hora extra em janeiro de 2009, quando a Casa estava em recesso… Soma chega a R$ 5,7 milhões…” (http://congressoemfoco.uol.com.br/servidores-do-senado-devem-r-57-milhoes-em-horas-extras.html)

Não foi legal que o super-star dos negócios Eike Batista tenha alertado para não se deixar o capitalistasolto”, sem fiscalização (http://globotv.globo.com/globo-news/conta-corrente/v/eike-batista-compartilha-os-segredos-do-bom-empreendimento/1778846/)? Quem dera fosse a elite brasileira feita de Eikes… Bem que a esquerda poderia imitá-lo e, pensando em outro tipo de capital, trazer uma nova mensagem ao carnaval… Ela anda pouco criativa, não anda? Até parece que o importante não é mais o coletivo e sim o individual… Custa ter um pouco de imaginação? Lembre-se sempre galera, como diz o locutor: DESVIO NO SINDJUFE É DE BEM MAIS (muito mais) DE MEIO MILHÃO! E não esqueça de VOCÊ É SOCIALISTA? TEM CERTEZA?,  O CASO BANCOOP , UM GRANDE NEGÓCIO? O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

Sugestão de outdoor:

3)    enquanto os policiais falavam em piso nacional (papo de saída do ex-presidente Lula), a própria assembleia legislativa dava a seus membros não sei quantos % de aumento, despreocupadamente. A de Alagoas, seguindo as demais e o congresso, já tinha se dado mais de 100%…Aliás, o Superior Tribunal de Justiça consumiu 451 milhões de reais com salários, pagando aos seus 31 ministros quase três milhões de reais em vantagens e benefícios, em 2011, segundo http://www.radiometropole.com.br/radio/?menu=V1ZoS01HRlhaSFpqZHowOQ==&id=VDFSRk5BPT0

 Não parece uma festa, leitor?  Aliás, você lembra de:

“…pouca gente da “esquerda” discursa contra a alma farrista (e formadora de patrimônio) do Estado Brasileiro. E menos ainda contra carrões!…” (O ZIGUE ZAGUE DOS NÚMEROS)

E festa sem um ou outro excesso não é festa, né? Agora, claro que existe uma certa bebedeira e um certo rala-e-rola que nem sempre vêm à tona (a capa de Veja desta semana, aliás, é uma graça. Li a matéria). E não foi por isso que fiz uma DEFESA DE KLEBER SALAZAR? Aliás, por que será que não se tem dinheiro para a segurança, a saúde e a educação públicas? Pra frente, Brasil:

 

http://www.istoe.com.br/reportagens/156874_BOLA+DIVIDIDA

Vamos voltar ao carnaval e ao mundo que o gerou? Além de ser bem mais divertido, ele ainda mostra que nem tudo está perdido. Atenção, leitor, onde se lê prelados leia-se prelados mesmo. Fonte: A VIDA SEXUAL DOS PAPAS (Cawthorne, Nigel. São Paulo, Ediouro, 2002 – trad. Thaís Manzzano)

“… De fato, na França, os conventos eram conhecidos como “palácios do prazer” (…) Bordéis retribuíam tal deferência. As madames eram chamadas abadessas e os prostíbulos, abadias… (f.141)

…São Boaventura, um grande amigo de Inocêncio V (1276), comparou Roma à meretriz do Apocalipse, embriagada no vinho da própria devassidão. Em Roma, dizia Boaventura, nada havia além de luxúria e simonia, mesmo nos altos escalões da Igreja […] Roma corrompe os prelados. Os prelados corrompem o clero. E o clero corrompe o povo…” (fl144)

….Petrarca descreve Clemente VI como um ‘Dionísio’ [de fato, havia tantas prostitutas que Clemente começou a cobrar impostos delas. O historiador […] chegou a descobrir uma escritura de venda, mostrando oficiais do papa comprando ‘um novo e refinado bordel’ […] A escritura declarava piamente que o negócio era feito ‘em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo’… (fl.164)

…A simonia era outra boa fonte de recursos. Qualquer um que desejasse tornar-se cardeal podia simplesmente comprar a posição. Para aumentar a rotatividade, Alexandre (VI) valeu-se do envenenamento  dos cardeais, assim que os houvesse elevado. Não apenas obtinha os chapéus dos cardeais para vender de novo, como a propriedade deles naturalmente reverteria para a Igreja – isto é, para o papa… (fl.236)

…Não há dúvida de que Lucrécia e seu pai [o papa Alexandre. Veja o Balé das Castanhas em CABA NÃO, MUNDÃO] eram íntimos. Ela governava o papado como uma grande regente quando ele estava ausente de Roma (…) Muitas vezes, depois de uma diversão, ela presidia o conselho de cardeais vestida como bacante, com os seios nus e o corpo sumariamente coberto com uma roupa transparente de musselina. Ela então ‘propunha para debate temas voluptuosos’. E, segundo Buchard [mordomo do papa] não se envergonhava de dar e receber ‘carícias indecentes’ diante de toda a assembleia… (fl.256)

… Depois (…) o papa e sua filha se retiraram para o interior do quarto e permaneceram fechados juntos por mais de 1 hora. Se Alexandre tinha um caso incestuoso com a sua bela filha Lucrécia, ele foi provavelmente o único papa a desfrutar de três gerações – avó, mãe e filha… (fl.257)

… Mas a beleza do jovem Manfredi despertou a luxúria de Cesar [filho de Alexandre, cardeal e comandante militar do vaticano, que também amava Lucrécia]. Depois que se cansou dele, enviou-o a Alexandre, junto com o seu irmão e outro jovem de bela aparência . Esses homens, diz-se, foram usados pelo papa durante algum tempo… (fl.272)

… O casamento [de Lucrécia] foi celebrado pelo papa na ausência do noivo, por procuração. Para comemorar, Alexandre mandou cunhar uma medalha. Lucrécia aparecia em um do lados; o outro tinha uma legenda: ‘Castidade, o valor mais precioso para  a virtude e a beleza’ … (fl.277)

Bom carnaval.

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